Bala que matou Arthur, 5, não saiu da arma de suspeito; polícia quer imagens da rua

Bala que matou Arthur, 5, não saiu da arma de suspeito; polícia quer imagens da rua

ALCEU LIMA
Especial para o VERBO ONLINE, em São Paulo

O Instituto de Criminalística de São Paulo realizou nesta quinta-feira (4) exame de confronto balístico que constatou que o projétil que atingiu e matou o menino Arthur Aparecido Bencid Silva, de 5 anos, na zona oeste da capital no Réveillon, não saiu da arma do considerado – único – suspeito pelo crime, que chegou a ser detido pelos policiais do 89º Distrito Policial (Portal do Morumbi). Com a prova, o homem que era investigado pela morte da criança foi descartado.

Pais do menino Arthur, 5 anos, no enterro do menino; parentes denunciaram

Pais no enterro de Arthur, 5 anos; parentes denunciam omissão de socorro de hospitais e negligência do Samu

Na virada do Ano Novo, o suspeito chegou a ser preso em flagrante pela Polícia Militar, por porte ilegal de arma, um revólver calibre 38, e levado para o 101º Distrito Policial (Jardim das Imbuias). Ele foi, porém, liberado pela Justiça, após ter a fiança arbitrada em R$ 500. Na terça-feira (2), após interceptação telefônica feita pela polícia supostamente mostrar que teria dito que um disparo que efetuou tinha matado uma criança, ele foi detido novamente, pelo 89º DP.

O rapaz – de 21 anos – foi, porém, liberado na madrugada da quarta-feira (3), após a Justiça negar prisão temporária pedida pela polícia, mas continuou considerado como suspeito até a realização do exame balístico, que mostrou agora não ser o responsável pelo tiro fatal que vitimou Arthur – ao ser preso, ele admitiu ter dado tiros para o alto para comemorar o Ano Novo, mas perto da casa dele, no Jardim das Imbuias, região distante de onde a criança foi baleada.

Arthur morreu depois de ser atingido na cabeça por uma bala durante a queima de fogos no réveillon, enquanto brincava no quintal da casa da família, no Jardim Taboão, na divisa com Taboão da Serra, quando caiu subitamente. Só depois de exames os pais souberam que um projétil o havia atingido. O laudo necroscópico apontou que o menino foi vítima de uma bala de calibre 38 que perfurou a parte superior do seu crânio. A bala ficou alojada na região da nuca.

Agora, a polícia quer pedir ao Instituto de Criminalística uma perícia para que seja traçada a trajetória da bala. No início da investigação, o 89º DP levantava duas possibilidades para o crime: bala perdida e disparo de dentro ou perto da casa. O delegado Antônio Sucupira Neto, responsável pelo caso, considerava, porém, prematuro considerar a segunda hipótese. Sucupira esperava receber nesta sexta (5) imagens de uma câmera de segurança de um morador da rua.

OMISSÃO DE SOCORRO
A polícia investiga o autoria do disparo mortal e denúncias de omissão de socorro. Parentes do menino relataram dificuldades em conseguir vaga em hospitais públicos e privados da cidade, além de negligência no atendimento do Serviço Móvel de Urgência (Samu), da prefeitura de São Paulo. O Hospital Family, privado, em Taboão da Serra, o mais próximo da casa onde Arthur estava, disse que o menino deu entrada no centro médico à 0h05 do dia 1º desacordado.

Arthur passou por avaliação médica e exames no Family, que antes de ser constatado o ferimento por arma de fogo tentou a transferência para um hospital da rede pública com UTI pediátrica – o Family não tinha a unidade de terapia intensiva. A criança acabou conseguindo a internação no Hospital Geral do Pirajuçara (HGP), em Taboão, do governo do Estado, o centro médico de referência na região, um dos que inicialmente, de acordo com os parentes, negou ter vaga.

Com a vaga, os parentes tiveram dificuldade de encontrar uma ambulância para transferência – eles já tinham acionado antes o Samu. A primeira unidade do Samu a prestar socorro não tinha UTI e foi dispensada. A segunda, que chegou ao Family às 6h, não tinha um médico na equipe. Profissionais do Family foram junto e conseguiram transferir o menino, que deu entrada no HGP às 6h20, quase seis horas e meia após o ferimento. Após as 18h do dia 1º, Arthur não resistiu.

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