Edgard promove Semana da Consciência Negra com debate sobre racismo na escola

Edgard promove Semana da Consciência Negra com debate sobre racismo na escola

RÔMULO FERREIRA
Reportagem do VERBO ONLINE, em Taboão da Serra

Professores da Escola Estadual Edgard Francisco, no Jardim Guaciara (região do Pirajuçara), em Taboão da Serra, tiveram a iniciativa de organizar a Semana da Consciência Negra no colégio, que teve início na terça-feira e vai até esta sexta (21 a 24). O evento, rico em conscientização sobre o racismo ainda existente no âmbito escolar, tem participação maciça de alunos e educadores em reflexão sobre a resistência e o empoderamento da juventude negra na escola.

Ambientação da EE Edgard Francisco

“Varal” da Consciência Negra na EE Edgard Francisco, em Taboão, que discute o racismo no ambiente escolar

Desenvolvida a partir de entrevistas com 926 alunos da escola, a “I Plenária – Consciência Negra; Resistência e Empoderamento da Juventude Negra na unidade escolar EE Edgard Francisco” teve início com palestra do ex-aluno Rai Soares, jovem negro, morador do Capão Redondo (zona sul de SP), biólogo e ativista das causas ambientais e negras. Sobre o racismo no ambiente na escola, a abertura apresentou os gráficos sobre o levantamento com os estudantes.

De acordo com o professor de filosofia do Edgard, Alexandre Santos, organizador do projeto com a professora de Artes, Janete Miranda, houve resistência da parte de alguns alunos durante as entrevistas, o que evidenciou histórias de sofrimento. “Descobrimos juntos que a resistência por parte dos entrevistados se dava por conta de sua condição étnica. Pude acompanhar histórias tristes de vítimas raciais ocorridas dentro da escola”, contou Santos ao VERBO.

“Creio que esse projeto nasceu a partir dessas histórias tristes, como alguns que queriam tomar banho de cândida para descolorir a pele escura, pensavam em usar gilete de barbear para tirar a pele escura de cima do corpo, relatos de tentativas de suicídios, abuso sexual, racismo em entrevistas de emprego, situações vexatórias que os pais viviam na comunidade quando se envolviam em alguma discussão, apelidos, mutilações”, diz o professor, em relato dramático.

Apesar da resistência de alguns alunos, que, de acordo com o professor, tinham medo de se depararem com uma situação de constrangimento, o projeto se tornou viável dentro da escola, graças à insistência dos organizadores. “Decidimos entrar nesse campo, mega demarcado pelo medo, insegurança, desespero e angústia em poder pensar que iriam vivenciar novamente uma situação vexatória de discriminação, sendo assim, continuamos insistindo”, conta.

O projeto – marcado também por exibição de documentário, debate e apresentações artísticas como sarau, desfile, “batalha filosófica” de MCs, canções, teatro e capoeira – visa “refletir a irreflexão racial” no ambiente escolar, discutir a valorização étnica dos alunos e possibilitar um espaço de visibilidade das minorias que não usufruem de momentos para expor as próprias ideias, angústias, crises e observar e debater de modo “libertário” sobre o racismo na escola.

“O racismo na escola ainda é um tabu, porém, temos registros de bullying dentro e fora da unidade escolar por conta de traços étnicos, que ocasionam posicionamentos etnocêntricos, xenofóbicos e discriminatórios”, diz Santos. Ele frisa que o projeto abre discussão para a reformulação do projeto político-pedagógico, além de oferecer outras formas de aprendizagem, como pesquisa de campo, entrevistas, para construção de análise crítica e autônoma dos jovens.

Em continuidade à Semana da Consciência Negra na escola, nesta quinta-feira (23), o evento será voltado à questão do empoderamento da mulher negra no Brasil e contará com palestra sobre o racismo na escola quanto ao gênero, assim como debate e apresentações artísticas. “A finalidade principal é conscientizar, refletir e buscar propostas, talvez respostas para a melhoria desse grande problema que é a questão do racismo dentro da escola”, finaliza Santos.

“I PLENÁRIA – CONSCIÊNCIA NEGRA: RESISTÊNCIA E EMPODERAMENTO” – EE EDGARD FRANCISCO
Nesta quinta-feira (23)
19h30 – Palestra sobre projeto “Racismo na escola” (apresentação de gráficos e tabelas acerca das entrevistas feitas entre agosto e outubro com 926 alunos da EE Edgard Francisco)
20h45 – Trailer: Libertem – Angela Davis – Feminicídio (alunas do 3º ano E)
21h30 – Debate “O empoderamento da mulher negra no Brasil” – Maria Eduarda (3º D) – participação do vice-diretor João Barreto (políticas públicas) e da professora Nivea Mesquita
A seguir – apresentações artísticas como sarau e desfile
Nesta sexta-feira (24)
Apresentações artísticas

Fonte: Professores da EE Edgard Francisco responsáveis pelo projeto

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