Dani Assis, da ‘Paixão de Cristo’ em Embu, faz peça em SP sobre jovens na ditadura

Dani Assis, da ‘Paixão de Cristo’ em Embu, faz peça em SP sobre jovens na ditadura

ADILSON OLIVEIRA
Especial para o VERBO ONLINE, em São Paulo

Uma jovem que exibiu o talento e carisma aos moradores de Embu das Artes nos últimos anos está em um marcante espetáculo teatral em São Paulo. Uma das principais personagens da épica montagem da “Paixão de Cristo” no Parque Pirajuçara, de 2013 a 2016, Dani Assis é uma das atrizes da peça “Bailei na Curva”, que neste sábado (18) tem a quarta e derradeira apresentação na Escola/Teatro Recriarte, na Vila Madalena (zona oeste da capital), com ingressos esgotados.

A atriz Dani Assis, 20, na 'Paixão de Cristo' no Pq. Pirajuçara, Embu, e na peça em SP

Dani Assis, 20, na ‘Paixão de Cristo’ em Embu e no espetáculo ‘Bailei na Curva’, formatura de atriz profissional

Dani sobe ao palco, com outros promissores colegas de cena, como conclusão do curso de teatro, para se tornar atriz profissional. “É a nossa formatura”, diz sobre a célebre peça. O “Bailei na Curva”, escrita pelo dramaturgo, ator, diretor e psicanalista gaúcho Júlio Conte, em 1983, é uma comédia dramática que conta a história de amigos que se conhecem desde criança, como tiveram a vida afetada pela ditadura no Brasil nos anos 1960 e que rumo tiveram quando adultos.

O texto traz referências históricas, mescladas com humor e sensibilidade. “Foi livremente adaptado, já que o próprio Júlio Conte acredita que o texto teatral é uma massa viva, não para de se mover e de se reinventar. A narrativa alterna leveza e peso, alegria e tristeza, resignação e luta. É uma história local e ao mesmo tempo global. Uma peça para rir e chorar. Uma forma de refletir sobre o que aconteceu e o que acontece no Brasil ainda hoje”, diz a produção atual.

De acordo com Dani, o texto, mesmo com o violento regime autoritário no país como pano de fundo, está “bem sensível”. “Apesar de o tema ser considerado forte, a peça não está densa e mescla bastante cenas leves”, destaca. Ela vive a personagem Gabriela, que vem de uma família pobre que é atingida fortemente pela ditadura militar. “Mas ela consegue dar a volta por cima, se formar e construir a vida, apesar das marcas que carrega”, conta a atriz de 20 anos.

Dani, que na “Paixão de Cristo” no Parque Pirajuçara fez uma mucama (escrava) por dois anos e Salomé em 2015/2016, transborda de emoção pela atuação na peça ambientada nos anos 1960 a 1980. “Ainda mais sabendo que as histórias são verídicas. É muito bom poder falar de algo tão importante e sobre o qual nem tantas pessoas têm conhecimento”, diz ela, interessada em falar à juventude, faixa etária ainda muito alheia a um dos principais fatos históricos do Brasil.

O sentimento da mãe é de realização de um “sonho”. “A minha emoção não cabe dentro de mim, te ver nascer foi umas das maiores alegrias da minha vida e agora te ver no palco se formando como atriz e realizando um sonho meu e agora seu, um sonho nosso! Parabéns por sua trajetória e crescimento e por ser essa filha que tanto me orgulha. Esse é só o começo de uma linda história!”, diz Cleusa Nascimento, 50, também atriz, agradecida por tanto reconhecimento à filha.

SERVIÇO
Peça teatral “Bailei na Curva” (ingressos esgotados)
Neste sábado (última de quatro apresentações), às 20h30, na Escola/Teatro Recriarte
Rua Fradique Coutinho, 994, Vila Madalena (zona oeste de SP)

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