Câmara de Embu dá título de cidadão a deputado que barrou investigação de Temer

PEDRO HENRIQUE FEITOSA
Especial para o VERBO ONLINE, em Embu das Artes

A Câmara de Embu das Artes aprovou no último dia 25 conceder o título de “Cidadão Embuense” ao deputado federal Antonio Bulhões (PRB). Vereadores justificaram dar a maior honraria de Embu pelo parlamentar ter destinado recursos ao município. Na mesma noite em que era agraciado pelo Legislativo da cidade, Bulhões foi um dos que votaram para barrar investigação contra Michel Temer (PMDB) sobre a “mala da propina” entregue a assessor do presidente pela JBS.

Bulhões ao votar contra investigação de Temer ainda na 1ª denúncia, e Índio

Bulhões vota contra investigação de Temer ainda na apreciação da 1ª denúncia, e Índio, do PRB do deputado

Bulhões e outros 250 deputados impediram prosseguimento da segunda denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Temer, acusado, na Lava Jato, de obstruir a Justiça e comandar uma organização criminosa. A oposição teve 233 votos. Eram necessários 342 votos (de 513) contra o presidente para que a denúncia fosse encaminhada ao STF. Para se salvar, Temer acelerou a liberação de verbas a parlamentares e atendimento a pleitos da numerosa bancada ruralista.

O projeto foi apresentado pelo presidente Hugo Prado (PSB) e demais vereadores Ricardo Almeira, Índio Silva e Júlio Campanha, os três do PRB, partido de Bulhões. “[Ele é] Um homem que contribuiu muito para nossa cidade. Este ano mandou uma emenda parlamentar, inclusive todo o asfalto que está acontecendo em nossa cidade é emenda do nosso deputado e da bancada do PRB. Ele mandou R$ 5 milhões para que a nossa cidade possa caminhar”, disse Almeida.

Ao VERBO, o vereador Índio justificou que Bulhões está contribuindo muito com Embu com indicação de recursos federais para a cidade. “É um deputado que vem atuando bastante no nosso município, vem ajudando bastante, já mandou um valor bom de emendas. Fora isso, é pai de família, é um político exemplar para todos nós, que a gente quer seguir, serve como exemplo para todos nós”, disse o líder do prefeito Ney Santos – também do PRB – na Câmara.

Questionado sobre Bulhões ter sido um dos parlamentares que barraram investigação contra Temer, na contramão da vontade da maioria dos brasileiros, Índio procurou refutar ligação. “A gente está dando o título de ‘Cidadão Embuense’ pela pessoa dele, pelo quanto ele tem ajudado o nosso município, não por ter dado voto a favor ou contra [Temer]. Quem está lá vivendo o dia a dia [Câmara Federal] que sabe o que realmente acontece lá dentro, nos bastidores”, disse.

Índio se irritou com a pergunta e ao citar reportagens do VERBO em que já figurou. “Vocês publiquem o que estou falando, não sejam oportunistas, de colocar coisas que não falei. Se vocês têm problema com o governo, usem contra o governo. Se têm problema com prefeito Ney, usem contra ele, não queiram pegar a gente como escadinha. Publiquem o que é verídico, porque olha só a sua pergunta, relacionar o título a se o cara votou a favor [de Temer]”, reclamou.

“Mais de duzentos deputados votaram contra [a denúncia], aí tem que falar o nome de todos. Está falando dele porque estamos dando o título? Mas já tinha mais de 15 dias que o projeto estava tramitando na Câmara. Vamos tirar o título dele porque votou a favor de Temer? Não tem nada a ver, tem que separar as coisas, não é assim que funciona”, disse Índio. Na votação da primeira denúncia contra Temer, em 2 de agosto, porém, Bulhões também barrou a investigação.

Ele negou ter dito “unidos contra o povo” na reunião com o prefeito para acertar votar a favor da taxa de lixo e voltou a se queixar do VERBO. “Tenho respeito por vocês, quero que tenham comigo. Dei parabéns pela charge [em que ganha chupeta da vereadora Rosângela Santos], se acham que estão denegrindo minha imagem, pelo contrário. Os políticos mais conceituados, como [deputado] Bolsonaro, estão sempre em evidência por estarem em debates polêmicos”, disse.

Apesar de ressaltar a indicação de emendas para Embu por Bulhões para justificar a concessão do título, Índio não citou o valor durante a entrevista de mais de 10 minutos. Só após novo contato da reportagem ele informou a cifra, R$ 2,67 milhões, para equipamentos de esporte e saúde – e não R$ 5 milhões citados por Almeida. O VERBO ligou para Hugo, mas ele não atendeu. A entrega do título foi aprovada com 13 votos. O vereador Doda Pinheiro (PT) se absteve.

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